Por mais lúcida que eu esteja você domina minha consciência a ponto de me fazer esquecer. Estava comprando chocolate, na fileira ao lado senti um cheiro... Carregada, fui até lá. Era seu perfume em outro homem. Esqueci meu propósito. Hipnotizada, fui para as lembranças como que raptada. Senti saudades. Lembrei do nosso amor. Voltei sem chocolate.
Dessa vez você não vai mais para longe. Foi a última coisa que escutei dos seus lábios sussurrando no meu ouvido querendo que eu escutasse e não prestasse a atenção porque você se ocupava em me dar prazer em todas as partes do meu corpo. Beijando. Acariciando. Tocando... Não imaginei que aquele momento se tornaria nossa última lembrança nem pensei que pudesse se tornar triste ou eu me tornar triste ao lembrar de você me amando. Até hoje tomo café sentindo cheiro de quintas feiras possíveis de um encontro. Deito na minha cama com a janela aberta para o vento me resfriar para que então eu fique presa naquela cama... Imagino que um dia vou conseguir voltar no tempo. Tento ou esqueço que vivi aqueles dias doces de amor. Esse amor que machuca e não parece real. Morreu. E eu viúva de um amor semi vivido procuro cinzas, vestígios e pistas para ter certeza de que morreu. Ou aconteceu. Deixe nos ir.
Nada poderia ser descrito com um só adjetivo, porque transborda. Disse que desse jeito eu iria até o japão andando ou de carona, e você riu completando dizendo sobre minha tendência para aventuras. Seria eterno se não fosse paixão. Lindo se fosse o verdadeiro amor. Mas era isso, um grande encontro.
saí do metro com tanta pressa a ponto de subir a escadaria sem parar apesar daquela mala pesada e mochila nas costas tudo que queria era me afastar rápido daquela cena grotesca e irreparável que tinha presenciado a poucos quilômetros dali e quando você me olha e diz que entendo tudo errado me pergunto se existe distorção a esse ponto ou você simplesmente é mau com essa sua cara de quem adora agradar a todos esquece quem é sem ao menos lembrar de momentos lúcidos e belos me rasga o peito me fazendo ouvir sussurros alheios de uma qualquer na sua cama sim aquela jamais seria minha cama novamente não posso me imaginar numa situação tão deplorável a ponto de dividir a cama com um gozo que não é meu ou para mim esse tipo de coisa certamente não passa numa cabeça oca limitada a desejos primitivos por qualquer outro cheiro feminino aquele detalhe que sempre te lembrei foi e continua sendo fundamental quando você o fizer terá quem quiser aos seus pés seja seletivo tudo tem um porque eu saio hoje da sua vida porque sinto desgosto.
Subia as escadas correndo tentando no meio daquela excitação me controlar. Te encontrar naquela noite não estava nos planos e você me surpreende quando paga a conta pega os vinhos me puxa pela mão e me tira os sentidos. Totalmente fora de sentido. Mostrando que o tempo para nós não existe é nosso. E então você corria atrás de mim. Eu nervosa para você logo chegar confusa para me entregar. Aos poucos vou sentindo seu cheiro e de uma vez só você me leva me eleva me tira do mundo com aquele beijo. Aquele beijo que eu tinha guardado na parte de trás da minha nuca guardado numa memória não acessada a tempos guardado na parte mais especial da minha vida por debaixo de toda a nova rotina. Durante aquele beijo eu larguei tudo que conquistei nesse tempo e voltei a ser como sempre fui e tinha me esquecido. Meus pés mal tocavam o chão meu sapato já tinha saido do pé e encostava naquele ladrilho gelado era o único ponto gelado em mim. Daquele momento ofegante numa mistura de tesão com felicidade já não existia silencio você berrava dentro de mim. O elevador mudou de andar nos chamando a atenção voltamos a subir os degraus até meu apartamento. Lá estava você no mundo que criei sem você de novo comigo para sempre comigo. Mesmo sem saber me carregou até a cama minhas pernas trêmulas em torno do seu quadril escorregavam de vontade. Fez em mim o que melhor sabia fazer fui longe delirei voltei. Tomamos vinho com cigarro de janelas abertas como se frio não existisse naquele quarto. Adormeci contando os pelos do seu peito que sempre soube quantos eram. Amanheci doente de paixão.